sábado, 23 de maio de 2015
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Primeiras experiências com o tal do guache
Todos são guache TGA sobre papel Montval, porque esta bendita técnica é bem mais barata que aquarela pra treinar. Reitero o pedido de desculpas pelas fotos assim-assim.
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| Jeff Bridges (já fiz quatro em diversas técnicas, nenhum ficou bom de vez) e Djimon Hounsou |
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| Elizabeth Montgomery e um tiozinho desconhecido de uma fotografia que achei no Pinterest |
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| O saudoso Robin Williams |
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| O saudoso Vlad Tepes |
sexta-feira, 27 de março de 2015
Mais nanquins!
Mais alguns nanquins de que gostei (agora acabaram os apresentáveis! o que me força a produzir mais...). Gosto particularmente da floresta e, contra a opinião de amigos, ressinto minha falta de habilidade no urso... opinem!
sexta-feira, 20 de março de 2015
Alguns Nanquins
Tem andado meio difícil manter a concentração por tempo o bastante e escrever um conto que se apresente, então aproveito pra mostrar minhas pinturas. Esses aí são nanquim sobre Canson. Ainda não arranjei um scanner que preste ou um esquema bacana pra tirar fotos dessas joças, mas cansei de fazer disso um obstáculo. Só mantenham em mente que são mais bonitos (menos feios?) em pessoa.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Insustentável
Insustentável
João entrou no bar pisando duro, mãos nos bolsos das calças, camisa para fora delas. O colarinho devia estar desajeitado havia horas e o usual arrumadinho João não parecia se importar.
— Uma cachaça!
Vavá se impressionou, João não era homem de cachaça pelo menos até a quarta, quinta cerveja, quando outro João assumia o controle da cabeça.
— Certeza?
O olhar. Vavá se lembraria por meses, dormiria mal. Tanto peso, tanto desgosto num só olhar. Serviu a Velho Barreiro como quem servia sangue. E com Stanheger!!
João bebeu às sorvidinhas longas, bebia pouco por vez, mas inalava muito do vapor medonho da pinga. Todos no bar olhavam para ele, um jogo de sinuca parara no meio, duas discussões, a TV havia sido desligada.
— Um torresmo!
Vavá hesitou, João estava sempre preocupado com o colesterol.
— Mas... e o coração, o fígado?
Dessa vez não era o olhar que o destruía, mas sim uma certa pressão nos lábios. Tanto ressentimento! Nem o divórcio, nem sua mãe cheia de rancor por ter largado a faculdade décadas atrás, não sentira tanto desgosto nunca! Serviu o torresmo num papel grosso, que automaticamente se tornou transparente. João mordeu com mandíbulas que podiam cortar aço. Aquele homem que normalmente estaria elogiando as fotos dos filhos de alguém mais bêbado, que tinha dó de ganhar dos mais ferrados na sinuca apostada. Aquele homem que já dividira o prêmio do bicho com os amigos!
— Muito seco...
Todos esperaram, ninguém ousara se mover.
— Passa no óleo Liza pra mim, Vavá...
Olhos se arregalaram pelo bar. O João! No Lisa! Ninguém acreditava. Vavá já não ousava contrariar, mas se contorcia por dentro, não entendendo o ocorrido. Pegou a lata de óleo, trêmulo, despejou um bocado numa bandejinha vazia da estufa. Sentiu de longe o cheiro da gordura.
Todos observavam, alguns levantaram devagar das mesas e se puseram a olhar com mais atenção. Um no fundo fazia um sinal da cruz, lentamente, para que João não percebesse. João pegou o torresmo, descartara o papel, esfregou por todo o decorrer da bandeja. Enquanto sua mão subia, duas gotas de óleo caíram no balcão, fazendo tremer o chão do bar do Vavá. O torresmo alcançou a altura dos lábios. Paulão quis gritar, mas um outro o impediu por medo. João mordeu e mastigou devagar, beiços brilhando, óleo escorrendo pelo canto da boca. Virou a cachaça de um gole só.
Ele se levantou, todos se encolheram nas cadeiras. Foi até perto da mesa de sinuca, pegou um taco, ajeitou as bolas no veludo verde. O olhar destruidor foi quem convocou um pobre coitado para o jogo. João esfregou o giz leeeentamente, não se sabe se saboreava cada movimento ou se amaldiçoava cada milissegundo do universo. O outro engolia em seco como se fosse jogar na encruzilhada pela própria alma contra o diabo. E nem sabia o que ganharia se vencesse! Num “plá!” vigoroso João estourou as bolas. Encaçapou duas.
Todos olharam ao mesmo tempo, enquanto João continuava debruçado sobre a mesa de sinuca, como um soldado insano que admirasse a fumacinha saindo da ponta do rifle. O adversário sentia as mãos suarem, tremerem.
João era, pasmem, um sujeito baixinho, todo arrumadinho, usava óculos e era um príncipe entre os homens. Mal se reconhecia João naquela pilha de terror que jogava sinuca com hálito de óleo, pinga e desgraça. Uma parte de todo mundo ali pensava “ah! É só o João! Tome tento!”. Mas essa parte ficava quieta quando o homem dava seu olhar de morte para todos de vez em quando. Em minutos, o jogo de sinuca já havia virado massacre. Mané, o adversário, suava nas palmas, na testa e na alma. “João vai me matar!”
Depois de vencida a partida, João deixou o taco de lado e foi para o fundo do bar, onde uma Jukebox mais velha que Oscar Niemeyer se encontrava encostada desde antes da puberdade de Noé. João fuçou atrás dela e encontrou o fio da tomada. Ninguém ousou se mexer enquanto ele ligava a dita cuja. Fuçou por uns instantes, aprendeu a mexer na máquina e colocou Chico Buarque para tocar. Vai trabalhar, vagabundo!
Ele olhou pela sala em busca de alguma reclamação. Nada. Ouviu a música inteira encostado na máquina, olhando para lugar nenhum com seus olhos de morte certa. Quando a canção terminou, puxou o fio da tomada com força, olhou de novo para o pessoal.
— Casada.
Ninguém ouviu direito. Todos se levantaram um pouco e penderam na direção dele para entender melhor.
— Casada!!! É casada!!! Porra!!!
Ninguém tinha coragem de retrucar. João era puro descontentamento, pura raiva na figura de um baixinho vestido de social. Foi o Mané quem levantou a mão devagar para chamar a atenção e falou, ombros encolhidos, taco de sinuca ainda na mão.
— Você também, né, João?
João o encarou com o olhar mais pasmo que se podia imaginar naquela noite. Dez anos de casamento pareceram uma novidade tremenda por um instante. Olhou para o Vavá detrás do balcão com um olhar de ódio que podia bem dar gastrite em alguém.
— Outra cachaça!!!
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Larvas na repartição
Larvas na repartição
- Morro de medo do arquivo...
Roberta
espalhava uma pilha de papéis de utilidade duvidosa pela mesa em que um
computador notavelmente obsoleto repousava com todo o garbo de um monolito
antigo. Janaína observou o estabano da colega por alguns segundos com olhos de
“saco cheio”. Suspirou.
- Por que, Roberta?
A outra
arregalou os olhos azuis e mostrou os dentes numa expressão de “asco levemente
enlouquecido” (ou talvez loucura levemente enojante). Janaína se inclinou de
leve para trás, por precaução.
- Tem muitas larvas...
O
arquivo em questão era velho, úmido, tremendamente mal-cuidado, povoado de
baratas, ratos e funcionários descontentes, desonestos e comilões. A comida se
materializava constantemente. Não importava quantas vezes passasse andando,
alguém estaria com um petisco novo nas mãos. Janaína já havia visto uma
senhorinha aparecer com um lanche de metro onde minutos antes havia apenas uma
bala de café. O prédio e seus habitantes eram o estereótipo do funcionalismo
público, o arquivo era seu coração demente e empoeirado. Era fácil para ela
imaginar larvas lá. Embora não soubesse delas com os números narrados.
- Deve ter
mesmo, Rô. Com tanta gente comendo e sem limpeza, deve dar mil tipos de bichos.
Roberta a olhou
com uma expressão grave, os olhos ainda arregalados:
- Não esse tipo
de larva... larvas espirituais.
Janaína
deu um suspiro longo e cansado sem quebrar o contato visual, sua mente oscilou
por várias medidas cabíveis – homicídio? Pegar o ônibus para casa? Deitar no
meio da rua e esperar por dias melhores? Um outro, que trabalhava num
computador próximo, fez seu melhor para sufocar uma risada e acabou fazendo o
som de um porco contrariado. Roberta olhava fixamente. Janaína moveu os olhos
lentamente para a tela do computador, como se movimentos bruscos pudessem fazer
aquela conversa explodir como uma granada de loucura. Trabalhou em ritmo
dobrado para esquecer o que ouvira.
XXX
Como era de se
esperar a mente coletiva da repartição logo tomou nota da história,
principalmente por intermédio do “risada de porco” da cena anterior. Todos riam
às escondidas ao perceber – ou re-afirmar – a loucura pitoresca de Roberta.
O
curioso da repartição era sua similaridade com filmes pós-apocalípticos, ou de
cadeia: a situação era grotesca, mas o ambiente sempre estava forrado de quem
abraçasse as trevas e se divertisse. Estes - como o Soares - se tornavam
gárgulas risonhas que lembravam os mais novos ou simplesmente mais lúcidos de
seu futuro doentio. O Soares rodou o setor soltando uma risada meio lesada e
repetindo a mesma piada para cada nova cara que aparecia: “é preciso fazer uma
dedetização de almas!”. Os funcionários mais novos pareciam ter seus ânimos
drenados pela risada nefasta. A barriga e a barba de um mocinho cresceram
diante dos olhos de Janaína e um palito brotou do canto de sua boca. Estava
condenado. Era funcionário público de vez.
Havia, claro
todo tipo de ser mítico na repartição e não apenas gárgulas sádicas. Havia quem
desacelerasse comendo e resmungando até completa transformação em algo próximo
do Líquen. Mesmo com poucas oportunidades de lucro, o lugar tinha sua dose de
lobos famintos e raposas ardilosas. O Dilson, por exemplo era um exemplo
supremo de um caso comum: os sábios. Talvez uma imagem boa fosse uma coruja
viciada em alucinógenos pesados.
O Dilson sabia
tudo. Havia estudado biologia em uma faculdade inverificável em ano incerto,
mas isso era irrelevante, uma vez que discursava sobre todas as áreas de uma só
vez. Debatia (sozinho, obviamente) a qualidade dos protetores solares
brasileiros e no mesmo minuto criticava a falta de padronização das cachaças.
Jurava que ia plantar cana em um terreno e criar um padrão ele mesmo! Janaína
só conseguia imaginar o homenzarrão de quase dois metros e mais de 100 kilos de
esquisitice no meio das canas, bêbado de uma Maria-louca altamente nociva.
Certa feita um
grupo conversava e o Dilson chegou abaladíssimo, olhos fixos e raivosos,
resmungando sozinho. Os mais calejados se calaram e mal se moviam, para que o
bicho estranho passasse sem percebê-los, mas algum novato desgraçado acabou
soltando um “está tudo bem, Dilson?”.
- Arrombaram meu
armário!
Silêncio. O
novato maldito dava andamento aos fatos.
- Nossa! Roubaram alguma coisa?
- Reviraram
tudo! Destruíram muita coisa... Mijaram dentro do armário! ... mas só roubaram
uma coisa...
As expressões do
grupo iam da aflição à força extrema de quem segura uma gargalhada alta.
- Levaram o
caderno em que eu anotei minha teoria!
A essa altura do
campeonato todos queriam saber o fim da história, mas esperavam que o novato
ligasse os trechos da conversa. Por polidez.
-Teoria?
Dilson pareceu
inflar por um segundo com sua estranha fisionomia de gordo nas costas e com
pernas finas. Ergueu um dedo como se acusasse o novato de alguma coisa (sanidade
talvez).
- Minha teoria
de nanotecnologia! Tão brilhante e delicada que é capaz de reconstituir a asa
de uma borboleta!
O rosto do
novato pareceu repuxar para baixo sob o peso da coisa misteriosa que despencou
em seu estômago. Olhou para o restante do grupo, o tempo todo mudos, como se
pedisse ajuda. Todos acenaram lentamente com a cabeça com uma expressão de “sabemos...sabemos....”. Desta vez o novato calou, mas era tarde
demais.
-Mas eu sei quem
roubou!
Silêncio.
-Foi a KGB!!!
O novato piscou
de modo mais demorado do que o normal, imaginando se ninguém perceberia agentes
secretos russos mijando num armário no meio de um setor que funcionava 24
horas. Isso é claro dependia ainda de uma agência de espionagem extinta voltar
a existir. Não era o maior feito de Dilson, que - descobriria depois - dizia receber faxes da NASA e da Pfizer
pedindo conselhos. Talvez mais absurdo que esses gigantes pedindo conselhos
para um anônimo dos cafundós seria alguém ainda usar fax. Mas, claro, o setor
ainda usava.
- Eu vi um
cientista russo anunciar minha descoberta! Eles me roubaram!
Desta vez o novato
já fazia parte da formação de moais com os mais velhos e manteve o silêncio e a
cara de bunda. Isso não impediu o Dilson de discursar por um tempo, resmungar
por mais um outro e finalmente sair andando, para longe da nova Ilha de Páscoa
e atrás de outra platéia.
Um ser bastante
único naquela fauna era o Antônio. Sempre sorridente, sempre agradável, sempre
com mais ou menos as mesmas frases.
- Vai melhorar! Você
vai ver!
Ocorriam
variações esporádicas.
- Vai ter
McDonalds aqui dentro! Computador para todo mundo trabalhar!
O que não mudava
eram as gargalhadas sarcásticas de quem sabia perfeitamente a profundeza da
fossa em que se encontrava. Havia quem achasse o Antônio meio doido como a
média da população do prédio. Certo dia o novato encontrou ele no corredor,
como de costume, no espaço entre setores.
-Se não é o meu
amigo! Como é que os caras estão lá? Fala que vai melhorar tudo! Informatizar
tudo!
O novato então,
com seu dom para “não sacar”, procedeu a explicar todo o martírio de descaso
que o setor e o prédio inteiro sofriam. Reclamou de falta de funcionários, de
corrupção de chefes, de equipamento defeituoso, falta de ventiladores.
O Antônio olhou
para ele meio espantado e, por sua vez, deu um enorme, lúcido e deprimente
discurso sobre a inviabilidade daquele lugar devido à falta de interesse. Desde
então o novato se limitava a rir das piadas do Antônio e tapava o buraco que o
discurso daquele dia deixara em seu peito com chocolate branco.
Mas
retornemos à população de gárgulas. Uma notória era o Felipe. Sondando o
ambiente como um predador, o Felipe se deliciava em buscar quaisquer falhas e
tropeços, qualquer coisa a ser apontada para montar em cima e cavalgar até o
limite da paciência. Tinha a sofisticação e a inteligência de uma criança de 10
anos, mas sua insistência o fazia tremendamente irritante de qualquer maneira.
Seu faro não perdeu a história das larvas e no dia seguinte o resultado de seu
empenho estava espalhado pelo setor.
Era de se
admirar e de se enojar ao mesmo tempo o esforço dedicado ao constrangimento e
incômodo alheios. Pelas paredes, pelas mesas, pelas mãos de todo mundo se
espalhava uma folha impressa. Continha
uma reportagem - claramente forjada - que tratava da existência das larvas
espirituais. Tendo a NASA (e não a KGB) descoberto sua existência – pois se
tornavam visíveis sob radiação gama – investigaram posteriormente e descobriram
que repartições públicas e, especialmente, arquivos antigos, atraíam almas
penadas que involuíam ao estado de larva.
Quando o papel
alcançou as mãos de Roberta todos já esperaram ver um escândalo de briga, uma
ofensa generalizada, uma transferência de setor. O resultado efetivo foi que
Roberta nunca mais entrou no arquivo com medo de ser larvificada. No furor dos
comentários e piadas um dos mais velhos chegou se divertindo com o papel para o
Dilson, que avaliou gravemente, fez uma cara indignada e disse, chacoalhando o
papel:
- Mas isso é um
absurdo!!!
Todos se
entreolharam achando graça na seriedade do colega e concordaram: sim era um
absurdo. Já iam começar uma nova sessão de besteiras e impropérios quando o
Dilson levantou de uma vez o corpo e a voz:
-Larvas
espirituais são vistas com radiação beta e não gama!!!
Naquele dia
ninguém conseguiu lidar muito bem com essa informação. Haviam cumprido a cota
de insanidade e aquilo já estava ficando perigoso, expondo camadas muito
profundas. Desconversaram, se afastaram e só os mais bonzinhos (e coitados) e
os mais loucos ficaram para ouvir as especificidades da radiação beta sobre a
alma. Os papéis se empilharam e desempilharam – não necessariamente no mesmo
ritmo – e as pessoas se chatearam, comeram e enrolaram. Seguia a vida, como
podia, no setor.
Devidas apresentações
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| Cthulhu!! Yaaaay! |
Ahoy!
Venho por meio deste brógue colocar em espaço público contos, desenhos, pinturas, poemas, crônicas, resmungos e pirações do dia-a-dia. Não suponho que vá ser genial, mas espero que pelo menos seja engraçado e minimamente interessante.
Não conte com coerência! Num dia eu estou reclamando do ônibus e pintando floresta emnanquim, no outro estou querendo matar dragão a machadadas e rabiscando com bic.
Considerem-se irrestritamente convidados a visitar e comentar. Suponho que ninguém vá perder a vontade de viver por ler um texto meu.... de novo...
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